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Como escolher roupas para o corpo ampulheta

O corpo ampulheta é frequentemente associado a equilíbrio e proporção. Caracterizado por ombros e quadris alinhados e uma cintura bem marcada, esse tipo de corpo permite uma grande variedade de escolhas — desde que a modelagem respeite suas linhas naturais.

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Por que graduação não é apenas “aumentar medidas”

Na moda — e de forma ainda mais crítica na lingerie — graduação costuma ser tratada como um processo mecânico: somar centímetros aqui, subtrair ali e repetir o molde em tamanhos maiores ou menores.

Esse pensamento simplista é uma das principais causas de produtos que vestem bem em um tamanho e falham completamente nos demais. Graduação não é copiar medidas. Graduação é engenharia aplicada ao corpo humano.

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Nem todo produto bonito funciona

Na moda existe uma armadilha recorrente: confundir estética com funcionalidade. O resultado são produtos visualmente atraentes que falham exatamente no momento mais importante: o uso real.

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O caminho real de um produto de moda até chegar à arara

Para quem vê o produto pronto na loja, o percurso parece simples: alguém cria, alguém produz e a peça aparece na arara. No entanto é bem mais interessante que isso.

Na prática, o caminho é longo, cheio de decisões técnicas, ajustes invisíveis e riscos que precisam ser controlados. Entender esse percurso é fundamental para quem atua com engenharia de moda, produto ou gestão.

Este artigo descreve o caminho real de um produto de moda, sem idealizações, do primeiro insight até o momento em que ele chega ao ponto de venda.

1. A ideia: onde tudo começa (e quase tudo pode dar errado)

O início raramente é técnico. A ideia nasce de:

  • Tendências
  • Comportamento do consumidor
  • Necessidades comerciais
  • Reposição de linha

Nesse momento, o risco é alto: decisões são tomadas com pouca informação técnica. Quando a engenharia entra tarde demais, erros conceituais avançam para etapas mais caras.

2. Tradução da ideia em produto possível

Aqui começa a transformação do conceito em algo executável. A engenharia de produto passa a responder perguntas como:

  • Isso pode ser produzido?
  • Com quais materiais?
  • Dentro de qual custo?
  • Para qual público real?

Desenhos técnicos, definições de materiais e primeiras decisões de construção acontecem aqui. Quanto mais claro esse alinhamento, menos retrabalho virá depois.

3. Modelagem e protótipo: a primeira versão da realidade

A modelagem traduz a ideia para o corpo. É o momento em que:

  • Proporções são testadas
  • Volumes são avaliados
  • Limites do material aparecem

O protótipo raramente funciona de primeira. Ajustes fazem parte do processo e revelam problemas que não aparecem no desenho.

4. Provas, ajustes e decisões difíceis

Durante as provas, surgem perguntas críticas:

  • O produto veste bem?
  • É confortável?
  • O custo ainda faz sentido?

Muitas vezes, é aqui que a empresa precisa decidir entre insistir, adaptar ou abandonar o produto. Seguir adiante sem ajustes costuma gerar problemas na produção.

5. Ficha técnica: onde o produto vira instrução

A ficha técnica transforma o conhecimento acumulado em informação reproduzível.

Ela define:

  • Materiais
  • Processos
  • Sequência de montagem
  • Pontos críticos

Uma ficha técnica incompleta transfere decisões para a produção — e isso quase sempre gera variação e erro.

6. Piloto industrial: o teste definitivo

O piloto industrial revela o que o desenvolvimento não viu:

  • Dificuldades de costura
  • Tempo real de produção
  • Problemas de acabamento

Ajustes nessa fase ainda são possíveis, mas já impactam custo e prazo.

7. Produção em escala: onde o erro fica caro

Com o produto aprovado, a produção começa. Aqui, qualquer falha anterior se multiplica.

Problemas comuns incluem:

  • Variação de qualidade
  • Desvio de medida
  • Retrabalho
  • Atrasos

Por isso, engenharia bem feita antes é sempre mais barata do que correção depois.

8. Logística e chegada à arara

Após a produção, o produto passa por:

  • Controle de qualidade
  • Embalagem
  • Distribuição
  • Exposição no ponto de venda

Quando chega à arara, o produto já carrega todas as decisões — boas ou ruins — tomadas ao longo do caminho.

O papel do PLM nesse percurso

O PLM (Product Lifecycle Management) organiza e conecta todas essas etapas.

Ele garante que:

  • Decisões não se percam
  • Erros não se repitam
  • O produto não dependa da memória das pessoas

Entender o caminho real do produto é o primeiro passo para estruturá-lo melhor.

Conclusão

O produto que chega à arara é apenas a ponta visível de um processo longo e complexo.

Quanto mais cedo a engenharia entra, mais previsível, eficiente e lucrativo esse caminho se torna.

Na moda, improviso custa caro. Processo bem definido gera resultado.

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O que é PML (e por que ele vai muito além da produção)

Quando se fala em ciclo de vida do produto, é comum ouvir a definição:

“É o tempo em que a empresa produz e vende um produto.”

Essa ideia não está errada, mas está incompleta. Na engenharia de moda, essa simplificação costuma gerar retrabalho, desperdício e perda de conhecimento técnico.

Neste artigo, você vai entender o que realmente significa ciclo de vida do produto, como ele se aplica ao vestuário e por que esse conceito é fundamental para uma gestão técnica eficiente.

O conceito correto de ciclo de vida do produto

O ciclo de vida do produto representa todo o período em que um produto existe para a empresa, desde o surgimento da ideia até sua retirada definitiva do portfólio.

Em termos simples:

O ciclo de vida começa antes do produto existir fisicamente e termina depois que ele deixa de ser vendido.

Esse conceito é a base de metodologias como o PLM (Product Lifecycle Management), mas pode ser aplicado mesmo em empresas que ainda não utilizam um sistema formal.

As fases do ciclo de vida do produto na prática

1. Fase pré-produto: quando o custo já começa a existir

Antes de qualquer peça ser produzida, o produto já consome recursos.

  • Ideia e conceito
  • Pesquisa de mercado
  • Definição de público-alvo
  • Desenho técnico
  • Modelagem
  • Escolha de tecidos e aviamentos
  • Cálculo de custos
  • Protótipos e ajustes técnicos

Embora não gere faturamento, essa fase define a maior parte do custo final do produto. Decisões mal documentadas aqui geram problemas caros nas etapas seguintes.

2. Lançamento: o nascimento do produto

É o momento em que o produto entra em produção pela primeira vez e chega ao mercado.

Nessa fase surgem ajustes não previstos, reclamações iniciais e correções técnicas que indicam se o desenvolvimento foi bem conduzido.

3. Vida ativa: produção contínua e estabilidade

Essa é a fase mais lembrada quando se fala em ciclo de vida do produto.

  • Produção regular
  • Vendas recorrentes
  • Padronização de processos
  • Pequenas melhorias técnicas

Aqui o produto gera retorno financeiro. Sem histórico técnico organizado, cada ajuste vira uma nova tentativa.

4. Declínio: quando o produto começa a perder força

Com o tempo, as vendas caem, o custo pode aumentar e o produto perde relevância. Esse é o momento de decidir se vale a pena ajustar, substituir ou descontinuar.

5. Fim de vida: o produto sai de linha, o conhecimento não

Quando um produto é descontinuado, ele deixa o portfólio comercial, mas seu histórico técnico continua sendo valioso.

Um produto pode morrer comercialmente, mas nunca deveria morrer tecnicamente.

Exemplo prático na engenharia de moda íntima

Imagine o desenvolvimento de um sutiã:

  • Janeiro: ideia e conceito
  • Fevereiro–março: desenvolvimento técnico
  • Abril: provas de vestibilidade
  • Maio: início da produção
  • Maio–dezembro: vendas regulares
  • Ano seguinte: queda de vendas
  • Março: descontinuação

O ciclo de vida completo vai do conceito à retirada do mercado — e o aprendizado permanece relevante mesmo após o fim das vendas.

Por que o ciclo de vida é essencial para a engenharia de moda?

Muitos problemas recorrentes nas empresas surgem quando o foco está apenas na produção e o desenvolvimento não é documentado.

Uma visão correta do ciclo de vida permite:

  • Reduzir retrabalho
  • Reaproveitar bases e soluções técnicas
  • Tomar decisões com dados reais
  • Diminuir dependência de conhecimento informal

Onde o PLM entra nesse processo?

O PLM existe para registrar cada fase do ciclo de vida, preservar a memória técnica do produto e conectar criação, engenharia, custos e produção.

Mesmo sem um sistema robusto, pensar em ciclo de vida já é aplicar PLM como método.

Conclusão

Reduzir o ciclo de vida do produto ao tempo de produção é um erro comum — e caro.

Na engenharia de moda, entender o ciclo completo significa desenvolver melhor, produzir com mais segurança e evoluir com menos desperdício.

O ciclo de vida é o tempo em que o produto importa para a empresa — não apenas o tempo em que ele é fabricado.

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