Nem todo produto bonito funciona

Na moda existe uma armadilha recorrente: confundir estética com funcionalidade. O resultado são produtos visualmente atraentes que falham exatamente no momento mais importante: o uso real.

Na prática, produto bonito que não funciona não é produto. É apenas uma intenção estética mal resolvida.


Design não é aparência: é uso

Essa ideia não é nova. Ela está no centro do pensamento de“Design do Dia a Dia”, de Don Norman, uma das obras mais importantes sobre design centrado no usuário.

Norman deixa claro que um bom design é aquele que:

  • Funciona como o usuário espera
  • Não exige esforço excessivo
  • Não causa erro, frustração ou desconforto

Quando trazemos esse conceito para a lingerie, a conclusão é direta: se a peça incomoda, não sustenta ou machuca, o design falhou, independentemente de quão bonita ela seja.


O problema da estética sem engenharia na lingerie

A lingerie é uma das categorias mais sensíveis da moda porque:

  • Fica em contato direto com a pele
  • Trabalha sob tensão constante
  • Depende de elasticidade, ajuste e distribuição de pressão

Ignorar esses fatores em nome da estética gera produtos que vendem na primeira impressão, mas não fidelizam.

Exemplos práticos de falhas comuns na lingerie

1. Sutiã bonito que não sustenta

Um erro clássico: rendas delicadas, base estreita e elástico fraco em um sutiã destinado a bustos médios ou grandes.

Visualmente, o produto encanta. Na prática:

  • O busto cede ao longo do dia
  • As alças concentram peso demais
  • A usuária sente insegurança

Resultado: o produto é bonito, mas não cumpre sua função principal.

2. Calcinha que marca ou enrola no corpo

Modelagens que ignoram o comportamento do tecido no corpo real geram peças que:

  • Enrolam na cintura
  • Marcam excessivamente
  • Exigem ajustes constantes durante o uso

Não importa o quão sofisticada seja a estampa: se a usuária precisa “arrumar” a peça o tempo todo, o produto falhou.

3. Body lindo, mas impossível de usar por horas

Bodies com tecidos rígidos, costuras mal posicionadas ou pressão excessiva em pontos estratégicos até funcionam em uma foto.

No uso prolongado, causam:

  • Desconforto
  • Restrição de movimento
  • Cansaço corporal

Design que só funciona parado não é design funcional.

Onde a engenharia de produto entra

A engenharia de lingerie existe justamente para evitar esse tipo de erro. Ela traduz intenção estética em produto utilizável, equilibrando:

  • Elasticidade
  • Conforto
  • Vestibilidade

Sem esse equilíbrio, o produto pode até chegar à arara, mas dificilmente conquista recompra.

Produto de verdade resolve um problema

O ensinamento central de Design do Dia a Dia se aplica perfeitamente à moda íntima:

Um bom produto não obriga o usuário a se adaptar a ele. É o produto que se adapta ao usuário.

Na lingerie, isso significa:

  • Vestir sem machucar
  • Sustentar sem esforço
  • Acompanhar o corpo real

Conclusão

Estética chama atenção. Funcionalidade constrói marca.

Na lingerie, mais do que em qualquer outra categoria, produto bonito que não funciona não é produto. É apenas uma promessa que se quebra no primeiro uso.

Engenharia bem aplicada transforma beleza em experiência — e experiência em fidelização.

Lucivanda Arruda

Lucivanda Arruda

Filha de costureira, cresceu entre tecidos e moldes — e nunca mais saiu dali. Hoje, entre a maternidade, o trabalho e a sala de corte, acredita que moda boa é aquela que veste, funciona e faz sentido. ✨✂️

Post Anterior

Siga-me no Instagram

Inscreva-se para receber as novidades