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Por que graduação não é apenas “aumentar medidas”

Na moda — e de forma ainda mais crítica na lingerie — graduação costuma ser tratada como um processo mecânico: somar centímetros aqui, subtrair ali e repetir o molde em tamanhos maiores ou menores.

Esse pensamento simplista é uma das principais causas de produtos que vestem bem em um tamanho e falham completamente nos demais. Graduação não é copiar medidas. Graduação é engenharia aplicada ao corpo humano.

O erro mais comum: escalar números, não corpos

Corpos não crescem de forma proporcional. Eles se transformam.

Quando um produto é graduado apenas “aumentando medidas”, parte-se do pressuposto errado de que:

  • Bustos aumentam sempre na mesma proporção
  • Cinturas crescem de forma linear
  • Quadris se comportam igual em todos os biotipos

Na prática, isso não acontece. O que muda de um tamanho para outro não é apenas o quanto, mas o onde e o como.

Graduação é adaptação estrutural

Uma graduação bem-feita considera alterações estruturais do corpo, como:

  • Distribuição de volume
  • Pontos de sustentação
  • Ângulos de encaixe
  • Comportamento do tecido sob tensão

Isso significa que, muitas vezes, o molde de um tamanho maior não pode ser apenas uma versão ampliada do menor — ele precisa ser reorganizado.

O impacto da graduação na lingerie

Na lingerie, os efeitos de uma graduação mal resolvida aparecem rapidamente:

  • Sutiãs que sustentam no P e cedem no G
  • Laterais que apertam em tamanhos maiores
  • Alças que perdem função conforme o tamanho aumenta
  • Calcinhas que marcam ou deformam o corpo

Esses problemas não são estéticos. São falhas de engenharia de produto.

Exemplo prático: sutiã em tamanhos maiores

Ao graduar um sutiã do tamanho M para o GG, não basta aumentar:

  • A largura do bojo
  • O comprimento do tórax
  • A circunferência total

É necessário repensar:

  • Base mais larga para distribuir peso
  • Laterais mais altas para contenção
  • Alças com maior capacidade de sustentação
  • Elasticidade controlada, não excessiva

Sem isso, o produto até “serve”, mas não funciona.

Graduação também afeta conforto e durabilidade

Quando a graduação ignora o comportamento real do corpo, o produto passa a trabalhar sob tensão inadequada.

Consequências comuns:

  • Elásticos que cedem antes do previsto
  • Costuras sobrecarregadas
  • Perda rápida de forma
  • Reclamações recorrentes do consumidor

Ou seja: graduação mal feita impacta diretamente qualidade, custo e reputação da marca.

Graduação é conhecimento acumulado

Uma boa tabela de graduação nasce de:

  • Testes de vestibilidade
  • Análise de biotipos reais
  • Histórico de ajustes e devoluções
  • Interação entre modelagem e engenharia

Não é um arquivo pronto. É um sistema vivo.

Conclusão

Graduação não é simplesmente aumentar medidas. É interpretar como o corpo muda e traduzir essa mudança em produto funcional.

Na lingerie, onde conforto, sustentação e ajuste são inegociáveis, graduar mal é comprometer toda a linha de produto.

Engenharia de moda não escala números. Ela adapta soluções para corpos reais.

Lucivanda Arruda

Lucivanda Arruda

Filha de costureira, cresceu entre tecidos e moldes — e nunca mais saiu dali. Hoje, entre a maternidade, o trabalho e a sala de corte, acredita que moda boa é aquela que veste, funciona e faz sentido. ✨✂️

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