Quando se fala em ciclo de vida do produto, é comum ouvir a definição:
“É o tempo em que a empresa produz e vende um produto.”
Essa ideia não está errada, mas está incompleta. Na engenharia de moda, essa simplificação costuma gerar retrabalho, desperdício e perda de conhecimento técnico.
Neste artigo, você vai entender o que realmente significa ciclo de vida do produto, como ele se aplica ao vestuário e por que esse conceito é fundamental para uma gestão técnica eficiente.
O conceito correto de ciclo de vida do produto
O ciclo de vida do produto representa todo o período em que um produto existe para a empresa, desde o surgimento da ideia até sua retirada definitiva do portfólio.
Em termos simples:
O ciclo de vida começa antes do produto existir fisicamente e termina depois que ele deixa de ser vendido.
Esse conceito é a base de metodologias como o PLM (Product Lifecycle Management), mas pode ser aplicado mesmo em empresas que ainda não utilizam um sistema formal.
As fases do ciclo de vida do produto na prática
1. Fase pré-produto: quando o custo já começa a existir
Antes de qualquer peça ser produzida, o produto já consome recursos.
- Ideia e conceito
- Pesquisa de mercado
- Definição de público-alvo
- Desenho técnico
- Modelagem
- Escolha de tecidos e aviamentos
- Cálculo de custos
- Protótipos e ajustes técnicos
Embora não gere faturamento, essa fase define a maior parte do custo final do produto. Decisões mal documentadas aqui geram problemas caros nas etapas seguintes.
2. Lançamento: o nascimento do produto
É o momento em que o produto entra em produção pela primeira vez e chega ao mercado.
Nessa fase surgem ajustes não previstos, reclamações iniciais e correções técnicas que indicam se o desenvolvimento foi bem conduzido.
3. Vida ativa: produção contínua e estabilidade
Essa é a fase mais lembrada quando se fala em ciclo de vida do produto.
- Produção regular
- Vendas recorrentes
- Padronização de processos
- Pequenas melhorias técnicas
Aqui o produto gera retorno financeiro. Sem histórico técnico organizado, cada ajuste vira uma nova tentativa.
4. Declínio: quando o produto começa a perder força
Com o tempo, as vendas caem, o custo pode aumentar e o produto perde relevância. Esse é o momento de decidir se vale a pena ajustar, substituir ou descontinuar.
5. Fim de vida: o produto sai de linha, o conhecimento não
Quando um produto é descontinuado, ele deixa o portfólio comercial, mas seu histórico técnico continua sendo valioso.
Um produto pode morrer comercialmente, mas nunca deveria morrer tecnicamente.
Exemplo prático na engenharia de moda íntima
Imagine o desenvolvimento de um sutiã:
- Janeiro: ideia e conceito
- Fevereiro–março: desenvolvimento técnico
- Abril: provas de vestibilidade
- Maio: início da produção
- Maio–dezembro: vendas regulares
- Ano seguinte: queda de vendas
- Março: descontinuação
O ciclo de vida completo vai do conceito à retirada do mercado — e o aprendizado permanece relevante mesmo após o fim das vendas.
Por que o ciclo de vida é essencial para a engenharia de moda?
Muitos problemas recorrentes nas empresas surgem quando o foco está apenas na produção e o desenvolvimento não é documentado.
Uma visão correta do ciclo de vida permite:
- Reduzir retrabalho
- Reaproveitar bases e soluções técnicas
- Tomar decisões com dados reais
- Diminuir dependência de conhecimento informal
Onde o PLM entra nesse processo?
O PLM existe para registrar cada fase do ciclo de vida, preservar a memória técnica do produto e conectar criação, engenharia, custos e produção.
Mesmo sem um sistema robusto, pensar em ciclo de vida já é aplicar PLM como método.





