Sobre mim
Lucivanda
Designer de moda · Costureira · Assistente de produto
Trabalho com moda a partir do processo. Entre moldes, tecidos, ajustes e decisões técnicas, construí uma trajetória baseada na prática, no método e na funcionalidade do produto.
Eu aprendi a costurar antes de entender o que aquilo significava. Novinha já fazia as roupinhas das minhas bonecas inspirada ao ver minha mãe costurar. Aos 16 anos, a costura entrou na minha vida como algo simples: pequenos reparos, linhas que se cruzavam, o barulho da máquina, o olhar atento da minha mãe. Ela era costureira. Eu observava. E, sem perceber, fui aprendendo que roupa não é só forma — é cuidado, tempo e corpo.
Durante muito tempo, costurar foi meu jeito de compreender as coisas. Quando algo não encaixava, eu ajustava. Quando sobrava, eu cortava. Quando apertava, eu escutava o corpo. Antes de qualquer teoria, eu aprendi na prática que uma peça precisa funcionar para existir.
Aos 22 anos, decidi dar nome ao que minhas mãos já sabiam e entrei no curso de Design de Moda, concluído em 2015. A faculdade não apagou o que eu trazia comigo — ela organizou. Engajada, fui monitora de várias disciplinas, participei de vários projetos e assim vieram os moldes refeitos, as perguntas, os erros, as tentativas. Eu nunca me afastei da costura enquanto estudava. Afinal o oficio já era profissão. Sempre é na costura que todo o planejado faz sentido.
Minha vida profissional sempre aconteceu muito perto da produção. Comecei ajudando minha mãe com as demandas que recebia em casa, depois formalmente, trabalhei com moda masculina, e depois com moda praia, e, enquanto estudava, mantive um ateliê em casa, atendendo mulheres reais, com corpos reais, demandas reais. Cada cliente me ensinava algo que nenhum livro ensinaria.
Em 2017, entrei no universo da lingerie como costureira de produção na Diamantes Lingeri. A lingerie me ensinou a escutar o corpo de outra forma. Nada pode sobrar, nada pode machucar, nada pode ser descuidado. Foi ali que meu olhar ficou ainda mais técnico — e, ao mesmo tempo, mais sensível.
Em 2025, tentei um novo caminho e participei de uma seleção interna para pilotista e fui convidada a assumir o cargo de Assistente de Produto, no setor de engenharia de desenvolvimento de produto, e estou amando tudo isso. Nesta fase, sair um pouco da máquina, deixar de lado um pouquinho do desenho a lápis e voltar ao Corel para vetorizar projetos, está envolvida com a equipe criativa, acompanhar as tomadas de decições no ciclo de vida das peças e me aproximar da dinamica de negócios da empresa... É exitante.

Hoje, sou designer de moda, sempre serei costureira. E atualmente muito orgulhosa de estar atuando como assistente de produto. Mas, acima de tudo, sou alguém que pensa moda com as mãos sujas de linha e a cabeça cheia de perguntas. Acredito que roupa bonita que não funciona não serve. Moda precisa vestir, acompanhar o corpo, respeitar o tempo e a rotina de quem usa. E
Sou mãe da Luiza — que já vestiu muitas das minhas criações — e casada com o Fellype, designer e desenvolvedor. A maternidade mudou minha relação com o tempo, com o corpo e com o vestir. Nada disso fica fora do meu trabalho. Tudo isso atravessa a forma como eu penso moda hoje.
Atualmente, estou desenvolvendo o livro “Do corpo ao molde: Introdução à modelagem”, um projeto que nasce da prática, da sala de corte e de muitos anos observando corpos e roupas se encontrarem (ou não). Mas sem pressão... Quando sair vou dar um destaque a ele aqui no blog.
A beleza começa no momento em que você decide ser você mesma.
Coco Chanel
Sobre este blog
Este blog nasceu da vontade de organizar pensamentos, dividir processos e falar sobre aquilo que quase nunca aparece nas vitrines: modelagem, construção, proporção, erro, ajuste e decisão técnica. Aqui eu escrevo para quem entende que moda não nasce pronta — ela é construída.
Este blog é um espaço de reflexão sobre moda a partir do desenvolvimento de produto. Aqui compartilho conhecimentos sobre corpo, modelagem, proporção, processo criativo e engenharia aplicada à moda.
Escrevo para quem estuda, trabalha ou se interessa por moda real — aquela que precisa sair do papel e funcionar no corpo.
Se você chegou até aqui, talvez acredite, como eu, que moda não é só imagem. É processo. É escolha. É responsabilidade.
E, se for assim, fique. Este espaço também é seu.





